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VIAGEM AO BEMBE E DAMBA
Setembro a Outubro de 1912
“ In- NO CONGO PORTUGUÊS
VIAGEM DO BEMBE E DAMBA – Considerações relacionadas.
Relatório do Governador do distrito, primeiro tenente
de marinha, José Cardoso
Cabinda ,1913”

Pintura de Manuel Ngombo.
OS habitantes.
População – Características de diferenciação
Estado social – Condições de vida – Relações entre o gentio e a autoridade e o
comércio – As quitandas
MUSSORONGOS
“ Infelizmente, não é o nosso comerciante muito dado a cogitações de raciocínio laborioso, só por excepção; e a maior parte das autoridades subalternas esquecem o importante papel que lhes
pertence como elementoscapitais da transformação do meio, e que, , melhor que quaisquer outras entidades, podem exercer no convívio quotidiano com indígenas das cercanias da sua sede nas suas
visitas aos mais distanciados dela, que mui
raramente realizam.
… Não fogem os mussorongos dos sítios onde se estabelece autoridade.As povoações continuam marginando os caminhos ordinários por ela percorridos. Só notei que isso se desse nas proximidades de
Bessa Monteiro,
onde estão ainda na memória os actos de castigo praticados pela coluna do Quinzau de 1910, notando-se que aí se dá esse afastamento, não só porque tiveram de destruir alguns povos existentes
nesses caminhos, como
também porque se dá ainda o caso do indígena dessa zona se ressentir muito sensivelmente da influência do indígena do Ambris, como tive ocasião de dizer nesta relação.
…Concorre também para promover esse afastamento a prática de abusos cometidos pelos soldados e pelos cipaios, realizados quase sempre em nome do comandante de que dependem, e sem conhecimento
deste, os
quais são muito difícil de coibir.
A gora mesmo na minha viagem, dois soldados dos que me acompanhavam, tendo ficado na cauda da minha caravana, ousaram cobrar um imposto de galinhas, em um povo por onde passaram, invocando o
meu
(…) “ Não são de temer , hoje, sãs perturbações de ordem nos mussorongos,devido a não terem uma organização que lhes permita formarem grandes agrupamentos de resistência. Mesmo no Ambrisete,
onde, durante anos, se
conservavam aliados para evitarem a nossa penetração, mantendo o lucro que auferiam nas imposições que cobravam aos indígenas que vinham trazer negócio à costa, depois do estabelecimento do nosso
posto e ocupação
do Tomboco, nunca mais tornaram a constituir-se em fortes agrupamentos de resistência, muito embora por mais de uma vez tenham procurado criar embaraços à acção da nossa autoridade, chegando de
uma das vezes a forçar quase que a rendição do forte pela manutenção de um cerco aturado que terminaria por um assalto, se não chegassem a tempo os reforços enviados para desbloquear a guarnição
sitiada.”
Textos selecionados por ARTUR MENDES.
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